Sunday, 24 January 2010

Sobre a poesia verdadeira/On true poetry

De acordo com Sri Chinmoy, poeta indiano, “[o poeta] tem de ser como uma chama que queima a tudo menos a si própria”. Aí está então claramente o erro dos poetas que se jogaram no abismo: deixaram-se queimar a si próprios. Foram vítimas de suas limitações humanas, apenas vislumbraram o Caminho. Perderam-se na esfera da Musa, no outro lado, sim, porém não conseguiram voltar, não dominaram a chama, deixaram-se dominar. O verdadeiro poeta queima-se em sua poesia e isso o leva adiante, para mais perto da realização plena de sua existência, fazendo-o desenvolver sua percepção assensorial e sua inspiração a um nível cada vez mais sutil, em direção ao essencial. E traz isso à organização da estrutura subjacente sobre a qual se assentam as palavras. A poesia, contudo, entendida aqui como aquilo sobre o que as palavras fluem, é o conceito subjetivo por excelência, e portanto escapa às tentativas de sua definição precisa. Metaforicamente, todavia, a chama dá origem à poesia, e a poesia tem a natureza da chama, sendo capaz também de queimar — tanto ao próprio poeta como a tudo o mais. Em suma: o que caracteriza a poesia verdadeira, ou não, é a qualidade da chama que queima o poeta: se é purificadora, ou simplesmente destrutiva, e isso se reconhece pela própria percepção poética, que pode ser mais ou menos apurada.



According to Sri Chinmoy, Indian poet, “[the poet] has to be like a flame that burns away everything but itself”. There it is, clearly, then, the error of the poets who threw themselves in the abyss: they let themselves be burned. They were victims to their human limitations, they only had a glimpse of the Way. They certainly lost themselves in the sphere of the Muse, in the other side, but could not come back, they did not master the flame, they let themselves be dominated. The true poet burns himself in his poetry and this takes him ahead, closer to the complete realisation of his existence, making him develop his assensorial perception and his inspiration to a subtler and subtler level, towards the essential. And he brings this to the organization of the underlying structure on which the words seat. Poetry, however, understood here as that over which the words flow, is the subjective concept by excellence, and therefore escapes the attempts of defining it with precision. Metaforically, notwithstanding, the flame gives origin to poetry, and poetry has the nature of the flame, being also capable of burning — the poet himself as everything else — away. In sum: what characterizes true poetry, or not, is the quality of the flame that burns the poet away: if it is cleansing, or merely destructive, and this is recognized by the poetic perception itself, which can be more or less refined, or purified.

1 comment:

Denis said...

Não sei se foi vc que escreveu isso, ou se baseou em outro testo, mais parabens, se fosse pra da nota eu daria 10, se fosse pra concorda ou descorda eu concordaria, e se fosse pra curti e refleti,melhor, foi isso que fiz.